“Após assinarmos o contrato, são 18 meses para que a indústria comece a funcionar”.

O secretário da Semagro, concedeu uma entrevista ao Giro de Notícias e reforçou que após a assinatura do contrato com o grupo russo Acron, há a possibilidade da UFN-3 em Três Lagoas funcionar em 18 meses.

A Petrobras confirmou, na semana passada, a venda de 100% de sua Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3) em Três Lagoas, a cerca de 320 km da Capital, para o grupo russo Acron. Em entrevista ao programa Giro Estadual de Notícias, de terça-feira (08), o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruk revela que as obras ainda não possuem data de início, mas já um cronograma. “Vamos definir os termos em reunião e certamente verificar qual é o cronograma que a Acron está assumindo junto da Petrobras e do Governo do Estado”, garante.

Confira a entrevista na íntegra:

A empresa russa Acron é referência mundial na produção e exportação de fertilizantes. Qual o prazo para venda e quando a fábrica começa a operar?

Na verdade, esse cronograma não existe ainda, mas obviamente nós temos urgência. Nesse momento o Brasil tem uma elevação dos custos de fertilizantes e uma falta de entrega de fertilizantes, tanto que a ministra Tereza Cristina teve que ir à Rússia para que eles mantivessem a disponibilidade para o Brasil e a Acron e o principal operador mundial e principal exportador inclusive para o Brasil.

Essa semana temos uma reunião marcada, entre Acron, que está vindo da Rússia, e o Governo do Estado. Vamos definir os termos em reunião e certamente verificar qual é o cronograma que a Acron está assumindo junto da Petrobras. Até porque, nós temos que fazer toda a transferência de incentivos fiscais, uma reunião com a Prefeitura Municipal de Três Lagoas e também com os diretores e durante essa semana nós estamos marcando com os russos que estão vindo ao Mato Grosso do Sul. Após isso, nós vamos ter informação de qual é o cronograma de início da obra.

Mas é importante entender, até por uma questão de expectativa, que uma obra dessas inicia normalmente em seis meses, para que eles estabeleçam todos os contratos e fornecimento de equipamentos. Depois nós vamos ter no mínimo 12 meses para execução da obra. Então a partir do momento que assinarmos esse contrato ao início das obras, são no mínimo 18 meses para que tenhamos o funcionamento da indústria.

Qual a expectativa do senhor pessoalmente depois de três anos de projeto? E o que é que se espera obter com essa venda para esse grupo russo?

Este projeto era uma ansiedade muito grande, que queríamos conseguir se desenvolver, mas acho que o momento, na questão do mercado de fertilizantes no mundo, fez com que ele se tornasse esse empreendimento tão atrativo.

É importante dizer que uma indústria dessa depende essencialmente do gás. Ela é uma separadora de gás. Recebe o gás natural e através de um processo ela faz amônia, o nitrogenado… Ela faz uma separação do gás criando uma série de subprodutos entre os principais deles a ureia. Então é importante as pessoas entenderem, uma planta dessa não funciona sem o gás natural.

O que nós temos de aspecto positivo hoje, primeiro é que o gasoduto Brasil/Bolívia tem uma ociosidade de 10 milhões de metros cúbicos de área e essa planta consome 2.3. Nós tivemos uma notícia positiva da Bolívia, que confirmou um novo posto de 3 milhões de metros cúbicos de ar e nós entendemos, logicamente, que o gás que precisamos virá da Bolívia.

O que aconteceu de fato nesse momento, é que a Petrobrás deu garantia a Acron, do fornecimento do gás, porque no edital anterior que saiu, não existia garantia de fornecimento. O caminho natural e importante para Mato Grosso do Sul, é que esse gás venha da Bolívia, que será uma forma de gerar mais ICMS, na questão do ICMS de gás natural, mas esse gás vai ser sancionado praticamente daqui a 18 meses. Então a Akron terá um período de negociação com a Bolívia, para esse fornecimento de gás e a própria questão da Petrobrás.

Então acho que essa essa variável de que projeto poderia não vir a acontecer, como aconteceu no momento anterior, está pacificada com a garantia de fornecimento de gás num período de 18 meses e da Bolívia nesse período ter condições de fazer este fornecimento ao Mato Grosso do Sul.

A expectativa é muito boa da retomada desse processo em Três Lagoas. Nós sabemos o quanto uma série de pequenos empresários do município tiveram problemas, acabaram quebrando, desativando seus negócios, em função da paralisação da obra da UFN3 e agora que vamos reabilitar, podemos fazer um trabalho para fornecedores locais, como estamos fazendo em Ribas do Rio Pardo, para que essas pequenas empresas possam novamente ser fornecedoras da obra e da UFN3.

Secretário, agora falando de uma situação no município de Maracaju. Uma indústria de processamento de milho teve um empreendimento bilionário e já se arrasta desde 2015. Neste momento as obras estão paralisadas e a Prefeitura do município vem pressionando a BBCA Group, para a conclusão do projeto, usando as leis de direitos de incentivo ao município, que determina a retomada do terreno que foi cedido à empresa. Como que o governo hoje está intermediando essa situação?
Bom, este é um caso importante e eu até faço uma brincadeira de que a BBCA Group não está na minha meta de retomada, a UFN3 era a última meta que eu tinha para o processo de retomada.

Esse é um processo longo, onde fizemos dezenas de reuniões com o grupo com o Grupo BBCA, em momentos anteriores eles até venderam uma parte da área que eles tinham comprado e a Prefeitura agora deu uma data final para retomar aquilo que eles fizeram a concessão de área, até para podendo oferecer essas áreas para outra empresa.

Então essa obra já está paralisada há muitos anos. Nesse ínterim, nós já levamos a Maracaju uma outra indústria produtora de milho, que é a Cerradinho, que vai fazer etanol de milho e já iniciou suas obras lá. E eu não tenho nenhuma perspectiva a curto prazo de que esse negócio avance. Acho que o mercado mudou muito, entraram outros players na questão de produção de milho.

A BBCA tem comunicado ao Estado e é importante destacar que ela tem um incentivo fiscal, mas em momento nenhum utilizou incentivo, pois isso tem débito do incentivo fiscal com o governo do Estado, mas obviamente que era uma indústria importante na questão do processamento de milho e não temos tido nenhuma notícia positiva em termos de meta do Grupo BBCA. Eu estive em Maracaju na sexta-feira, junto com o prefeito e o secretário, e eles deram agora mais 30 dias para avançar.

A indústria é importante. Se o grupo quiser investir terá o apoio do Governo do Estado, mas eu não vejo a curto prazo que tenhamos ainda neste ano uma sinalização positiva da BBCA.

O senhor acredita que é um que é um caso perdido?

Sob o ponto de vista do Governo do Estado, não temos muita sinalização que eles venham a fazer.

Eles já arrendaram a estrutura de armazenagem para a Cooperativa Lar, que está operando essa estrutura e em termos de equipamento, praticamente não tem nada. Então mesmo que tivesse uma retomada neste momento, demoraria anos. Eu não vejo mais futuro, devido à mudança de mercado, que a BBCA consiga resolver isso no curto prazo. E se vier talvez seja um empreendimento de menor porte.

É possível perceber uma movimentação positiva na Região Leste do Estado, uma explosão imobiliária, geração de empregos e empresas novas se instalando na região, que provavelmente vai sofrer uma grande transformação, certo?

É verdade! Acho que é importante realmente olharmos um pouco para a Costa Leste. Nós estamos falando da UFN3, mas Três Lagoas está recebendo outros empreendimentos. Nós temos esse ícone que é a UFN3, mas o município está recebendo mais duas ou três empresas capacitadas. Três Lagoas tem recebido outras empresas de médio porte.

Quando olhamos para Aparecida do Taboado, onde recentemente autorizamos duas empresas e está recebendo uma empresa.

Em Paranaíba, fechamos agora essa semana a venda da Orbe, que agora vai se chamar Cedro Agroindustrial. Uma usina de álcool já estava em construção, um investimento de mais de R$ 400 milhões que já está em operação.

No município de Inocência, recentemente acertamos o investimento na área de mineração e Ribas do Rio Pardo com R$ 15 bilhões em investimentos. Então temos vários projetos na área de agricultura. Só pra vocês terem uma ideia, nós temos uma projeção de que em termos de produção de eucalipto, Mato Grosso do Sul será líder nos próximos dois anos. Só hoje, dentro do Imasul, de autorização para plantio de eucalipto, nós temos 250 mil hectares em processo de análise, para ampliar a base de produção de eucalipto no Estado, exatamente para atender essas indústrias.

Então a Costa Leste, realmente apresenta uma modificação grande, pra isso nós vamos tem que investir e por isso que nós estamos num foco muito grande da BR-262, trabalhando com a questão das ferrovias, com três ou quatro autorizações da Eldorado, Fibria e Suzano, em dois trechos. Estamos terminando o estudo da revitalização da malha Oeste.

Então essa região realmente passa por um boom, em termos de crescimento econômico, com geração excepcional de emprego e benefícios a todos municípios. Essa base florestal junto com a agricultura e o setor sucroenergético, trará para a região um novo salto, como nós tivemos a alguns anos atrás com a instalação da indústria de celulose.

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